1 Real
Mar/101
Com uma cédula de 2$, pedi para a moça da lotérica trocar por moedas de 1$. Precisava de uma dessas para renovar o cartão de estacionamento por mais meia hora, tempo maior que o suficiente. Mesmo podendo, pois portava ao menos um quilo de moneditas, a danadinha não quis. Então, para ter a moeda, comprei uma raspadinha por 1$ e recebi a cobiçada prata de troco. Tão logo, despretenciosamente desvendei o mistério da raspadinha. Nela, pumba, o prêmio de 1$. (…) Ahá! Troquei por outra moeda.
#Chupa!
Aos 60, Fácil
Mar/100
Exceto nas vezes em que minha situação for decrépita, não vou me utilizar do direito que comumente o idoso tem de furar filas e receber atendimento especial.
Há pouco, aguardando ao menos há uma hora por atendimento, deparei-me com um casal, 45 e 65 anos, saúde impecável, com senha para atendimento especial em mãos e uma sensação latente de malandragem. E não só. Vi também gente nova negociando a aclamada senha com senhores em idade sexagenária, como se a condição fosse própria para negociação. Ética às avessas.
Sou patriota e continuo achando que quem não gosta do Brasil, fato, deve preparar suas malinhas, juntar dinheiro + passaporte, comprar passagens promocionais (só ida) e não voltar mais. Mas, eu concordo, alguns traços culturais do brasileiro são bastante discutíveis.
Quando aos 60, chego se Deus quiser, vou preferir me passar por 40, curtir a vida como aos 20 e reviver o espírito justo e puro de uma criança.
Rufino’s
Mar/100
“Rir é o melhor remédio”, ainda que remédios não sejam necessários. Assim, independente de onde estejamos, rimos… ou ao menos deveríamos. (…) Diana e eu somos namorados e amigos — ainda aprendendo a vivenciar o “companheirismo”, experiência além da amizade — e isso tudo se dá por meio de sorrisos, gargalhadas, conversas divertidas e a sensação de querer ficar junto.
Mariscos, pescado, salmão defumado, bom azeite e vinho branco alemão à escolha de Diana; Rufino’s, afinal, é ótimo restaurante (e caro!). Melhor ainda é sorrir, chorar de rir e andar com as mãos atadas numa agradável noite de São Paulo.
História se faz assim.
Be Remarkable!
Mar/100
Downtown
Mar/102
Eu vi uma criança com uma garrafa de Guaraná Antarctica na mão enquanto uma senhora pobre e faminta clamava por um gole. Vi outra senhora, rica, andando com suas mãos atadas às do marido, um simpático senhor, ambos beirando os 80, numa cena de puro amor. Vi também uma dona de barraquinha contadora de histórias, obviamente contando histórias para os outros barraqueiros, colegas de trabalho. Eu vi uma garota ao telefone celular, roupa impecável, falando mal da amiga. Vi um rapaz maltrapilho, flamenguista e mal-educado, escarrando em plena avenida. Vi também um moço, rosto carrancudo, reclamando no momento em que viu um automóvel estancando a faixa de pedestres. Eu vi um ambiente de trabalho burocrático, pessoas aparentemente desmotivadas, mas um recado ao superior colado no monitor do computador: “Eu te amo, Chefe!”.
Foram 3 quilômetros caminhando (sem carro) no centro da cidade onde moro — Guarulhos.
(…)
Andei, vi pessoas. Sinto falta.
Willian coração Diana
Jan/103
Exposto no post anterior, o desejo de reconquistar Diana Loureiro deixou de ser desejo. No quinto dia do ano, momento em que linda e deslumbrante ela completava 26 anos, jantamos e conversamos muito. (…) Afoito — mas sem sono e muito o que dizer — posto unicamente para registrar aqui, no despretensioso Universo Criativo, o quanto me sinto bem por estar ao lado da mulher que realmente mexe comigo e amo em sentido literal.
FELIZ
Diana
Jan/100
Hoje, 05/01, é aniversário dela, mas o texto abaixo não é uma homenagem ou declaração de amor; é pura verdade. Talvez distinto, concordo, mas simplesmente um texto. Muito embora exista em mim o desejo de reconquistá-la, talvez Diana Loureiro – para quem escrevo – sequer leia. Ou leia, muito bem, quiçá num caso raro em que houver certa coincidência.
Eis.
Antes e depois (de você)
Antes de você, Diana, muitas das coisas eram iguais a hoje. Exatamente iguais. A permanência da condição, porém, pode lhe fazer pensar que sua passagem foi indiferente, o que não é verdade. E não é porque nem tudo permaneceu como antigamente. (…) Antes de você, Diana, aconteceu com alguns amigos, eu era menino do tipo idealista. Acreditava na existência de uma carreira ideal, de uma família ideal, de um modo de viver ideal e, procurei em você, também uma mulher ideal. Nesse sentido, dizem dos idealistas que há, neles, uma propensão a idealizar a realidade ou a atuar mais por ideais do que por considerações práticas. Antes de você, Diana, eu era assim, esse tipo de menino idealista. (…) Aí, de um modo, numa cidade e época nada ideais, você e eu nos conhecemos. Um dia, ou melhor, 24 horas depois, também de uma forma nada ideal iniciamos um namoro que perdurou. Viajamos, desbravamos madrugadas, Machu Picchu, restaurantes, gnocchis ao molho funghi, shows de tango, cafés da manhã na cama e Puerto Madero. Passeamos, ficamos em casa sem dinheiro, compramos carros novos, ouvimos músicas de tudo quanto é tipo e dançamos. Dormimos juntos, acordamos com cara de sono, viramos para o outro lado e voltamos a dormir. Há 2 anos, Diana, no exato momento em que ocorria o réveillon (do verbo réveiller, que em português significa despertar), iniciamos um namoro que perdurou até o momento em que eu, idealista, enganei-me quanto ao próprio idealismo. E você se foi. (…) Depois de você nem tudo permaneceu como antigamente. Em vão, passei a reviver meu mais profundo idealismo, acreditando piamente na existência de uma carreira, família, estilo de vida e mulher ideais. Assumia que, por conta de todas as coincidências, digamos típicas de princesas e príncipes encantados, tínhamos começado de uma forma ideal, mas perdido o brilho ao longo do tempo. Refleti. Passei, então, a entender o idealismo de outra maneira, pois, falha comum aos seres humanos, no erro de caçar o que considerava ideal eu não supunha que a busca não estava na caça em si, mas na percepção. Assim – e dado que para os idealistas a verdadeira realidade está no mundo das ideias – passei a entender também que de idealismo eu nada entendia e que, de tanto idealizar erroneamente, minha propensão a vislumbrar uma realidade supostamente perfeita excluía de mim a possibilidade de, guiando-me por considerações práticas, vivenciar todo aquele nosso amor. (…) Hoje, Diana, desapareceu-me o idealismo (do modo como eu o entendo). Exceto quando frutos intangíveis são plantados na mente, cheguei à conclusão de que não há época ideal para conhecer alguém, não há um estilo de vida ideal, um jeitinho ideal para se iniciar um namoro tampouco uma carreira ideal. Além, e exceto nos casos raros em que a mãe abandona o filho, a família ideal (considerando ironicamente o próprio idealismo) já nasce conosco. (…) Antes de você, Diana, muitas das coisas eram iguais a hoje. Exatamente iguais. Como dito, nem tudo permaneceu como antigamente. Desdenhando o que vislumbrava, afirmo-lhe que depois de você, Diana, percebi que não existe e sequer existirá uma realidade ideal, mas simplesmente a realidade. A diferença está na percepção.
Por você,
Willian Girarde
Pe$$oa$ ou pessoas?
Dec/092
Tenho discutido às conchas sobre gestão de pessoas. E discuto porque defendo o ponto de vista que impõe ao líder uma condição simples: priorizar o ser humano. Assim, ao invés de diretivos e voltados à produção, prefiro líderes participativos e orientados para pessoas.
Há dois dias, enquanto discutíamos – uma amiga e eu – sobre futuro acadêmico, questionei sobre os sonhos que ela tinha. Troquei, confesso, as tarefas e a construção dos cronogramas de 2010 por alguns minutos ali. A conversa, até então despretenciosa, fluiu … e ela acabou esclarecendo seus desejos e visões de futuro, muitos deles (e só ali ela percebeu) não-relacionados à sua vontade de cursar bacharelado em administração de empresas e ao trabalho que exercia naquele exato momento. Até aí, folks, situação comum; o inusitado, neste caso, não está no bate-papo.
Desde os livros de Schwartz e Robbins, minha preferência por líderes orientados para pessoas se dá porque ainda não conseguiram me convencer de que os diretivos, orientados para resultados, são mais eficientes em médio e longo prazos. A justificativa é simples: quando prioriza resultados, comumente o líder não alcança sequer suas expectativas (…) ou alcança, mas desperdiça recursos além da conta. Em contrapartida, quando prioriza pessoas, os resultados são agradáveis consequências de esforços realizados por verdadeiros colaboradores que entendem o papel do trabalho ao longo de um processo e sobretudo como parte integrante de seus sonhos e visões de futuro. Há troca.
Creio que, bem como acontece com o professor em relação aos alunos, ao verdadeiro líder atribui-se necessariamente a tarefa de conhecer não somente feição e nome, mas os sonhos de cada funcionário. Há dois dias, enquanto conversávamos a amiga e eu, vivenciei novamente esse insight. Há dois dias estou certo de que priorizar o ser humano distingue os verdadeiros líderes e suas empresas de outras nas quais as pessoas são vistas como ferramentas de consecução de resultados. (…) Coisas de equipe.
E aí, líder? O que me diz?
Sexta-feira: o pior dia da semana
Dec/090

Incomodam-me as pessoas que comemoram o início de um final de semana. Não todas, claro, (…) uma fatia pula de alegria porque o final de semana representa a época em que o dinheiro entra. É o caso, por exemplo, dos DJs. Outros – e esses também têm argumento aceitável – são do tipo que trabalham muito e precisam descansar, oferecer um pouco de si à família e aos amigos. Incomoda-me, sim, o tipo de pessoa que comemora o início de um final de semana simplesmente porque não suporta trabalhar; para estes, sábado e domingo representam uma época em que se livram do trabalho.
Trabalho com Empreendedorismo, sou adepto (ou addicted, melhor) das redes sociais, leciono e empreendo. Por conta disso, com frequência me deparo com frases em que jovens (jovens!) demonstram exacerbada satisfação quando sextas-feiras chegam. Posts como este (http://migre.me/ewwb), este (http://migre.me/ewwg) e este (http://migre.me/ewwj) me desanimam.
Sob meu ponto de vista, é o AMOR que move o ser humano. Um empreendedor, por exemplo, adora a segunda-feira. E adora porque, assim como acontece quando se apaixona, ele quer se reencontrar com o trabalho, atividade, com sua microempresa, quer rever a sua paixão. Para o empreendedor, segunda-feira muitas vezes é um momento para novas ideias, novos negócios ou para se renovar. Simples de tal modo que, cada qual no seu ritmo, para empreendedores as novas ideias, negócios e inovações também acontecem às terças, quartas, quintas, sextas e até aos sábados e domingos. Não há, portanto, distinção. Todo dia é dia e dia após dia (rs) a paixão cresce. (…) O romântico vivencia seu amor por todo o tempo. O apaixonado não tira férias de sua paixão. O apaixonado não deixa de amar aos finais de semana. Ele simplesmente ama.
Assim, folks, se não amam o trabalho, a rotina, e precisam do final de semana para enxergar um fiozinho de felicidade correndo pelas veias, lembrem-se do triste (triste?) cálculo que designa ao trabalho pouco mais de 20% do tempo de uma vida. Uma vida.
(…)
Sou inimigo do TGIF. Não sou cliente assíduo do Friday’s.
Meu primeiro milhão
Nov/091

Quando chora, tristeza; quando sorri, alegria. E quando não chora tampouco esboça um sorriso?
Talvez por conforto ou mesmo preguiça de pensar, somos do tipo que bem entendemos as situações nas quais as correlações, sentimentos e evidências são claros e — estatisticamente falando — se encontram nas pontas de uma suposta curva de Gauss. Assim, se um indivíduo sorri, tendemos a entender que se sente bem (…) ao passo que se o mesmo indivíduo chora, inferimos que precisa de algo.
Parece fácil, mas não é. E não é porque a escala, justamente por ser uma escala, não abriga pontos somente em seus extremos. Ao contrário do que parece, a maior concentração de pontos está em níveis médios, ou seja, as correlações, sentimentos e evidências que se referem às mais distintas situações são imperceptíveis aos olhos de quem os analisa levianamente. Nesse sentido, se o indivíduo não sorri e não chora, a análise, a fim de que realmente se entenda a situação, precisa se dar à moda profunda, complexa.
(…)
Um milhão de reais é percebido como tal quando sob a forma de papel-moeda. Ao fim da contagem das notas, é evidente (para não dizer óbvio) que — exceto nos casos em que houver cédulas falsas — um milhão vale um milhão. Quando sob outra forma, porém, um milhão de reais vale menos, por vezes mais, mas é improvável que valha exatamente um milhão. (…) Em suma, sob a forma de papel-moeda o milhão se encontra num ponto extremo da escala. Já sob a forma de experiência ou amor, como exemplos, num dos níveis intermediários.
(…)
Minha tese infundada de que o valor é comumente percebido somente quando o produto de uma situação se torna tangível pode ser ilustrada por um exemplo que costumo citar em sala, nas aulas que ministro sobre empreendedorismo e criação de novos negócios. Nelas, falo sobre a relação aparentemente injusta que existe entre o empreendedor e a primeira fase do ciclo de vida da organização estabelecida por ele: o dinheiro aparece pouco, mas o valor do esforço, ao menos no início, é absorvido sob a forma de experiência.
Outro exemplo, mais simples, interessante e suficiente para todo um parágrafo, diz respeito aos relacionamentos.
Quando um homem se declara, oferece à mulher muito mais do que uma estrutura óssea envolta por órgãos futuristas e coberta por uma camada multitouch de pele. Quando apaixonado se declara, o homem oferece à mulher seu coração, sua família constituída e o desejo íntimo de constituir a própria, sua guarida com filhos e netos. À venda, pense bem, a compra de todo esse pacote não seria suficiente com um mísero milhão. (…) Curioso, entretanto, é que tal situação está em níveis intermediários e, assim, não é percebida pela mulher, que analisa o contexto de maneira leviana. Assim, às cegas pela não-mensuração do valor ou pela preguiça de ser complexa, a mulher não absorve a oferta milionária (…) e continua a aguardar ansiosa pelo príncipe encantado (esse, sim, situado no extremo da escala).
Meu primeiro milhão eu já conquistei, mas sob outras formas. Valem milhões minha família, amigos e trabalho. Valem milhões todos os meus amores. Ah, e hoje sou tão rico que já ofereço maletas milionárias por aí.
(…)
Who wants to be a millionaire? O segredo está na complexidade da análise.
O Poder do Apito
Nov/090

Este post não visa trazer à luz uma nova discussão sobre Carlos Eugênio Simon, árbitro que errou durante um dos jogos do Palmeiras no campeonato brasileiro de futebol e anda sendo vítima de retaliações por conta disso. Este post tem, sim, o simples e importante intuito de prestar homenagem a um grupo distinto de alunos que durante todo este semestre letivo me fez repensar sobre educação, respeito, comprometimento, sobre a relação entre os alunos e o professor e, além, sobre como passar a fazer parte da vida de um indivíduo.
A Escola Superior Paulista de Administração, onde leciono, iniciou suas atividades em 2006. Na ocasião, recebeu as primeiras matrículas e construiu sua primeira turma que, hoje, é formada por Abner, Alessandra, Aninha, Ariane, Barbara Lee, Bruno Patti, Camila, Clayton, Debora, Erica Loose, Erika Novaes, Everton, Fabinho, Fabrício, Felipe Gustavo, Leon, Flavinha, Albergoni, Gaspar, Jucelene, Maria Angelica, Marianna, Maricelia, Monique, Zandoná, Zorro, Paloma, Chaves, Renata Aparecida, Canossa, Eckert, Santaguida, Simone, Thallyta, Thiago Amauri, Tiago Henrique, Vanesa, Vinicius, Cremonesi e Wilson Felipe.
Hoje, meses depois do primeiro contato, não tenho dúvidas de que esta talvez tenha sido a melhor (ou uma das melhores) dentre todas as turmas com as quais já trabalhei. Ovelhas negras, esses alunos vivenciaram as mais diversas experiências, desde trabalhos apresentados em auditório e stands até guerras de indisciplina. São, em todos os sentidos, pioneiros.
(…)
Quando adolescente, minutos depois de ser convidado a sair da sala por indisciplina, ouvi da diretora que alunos indisciplinados, justamente por serem indisciplinados, são mais propensos a alcançar melhores postos. Isso porque, segundo ela, o status quo do mercado de trabalho é geralmente quebrado pelo tipo indisciplinado de aluno (e não pelo correto, que geralmente é avesso às quebras). A indisciplina, pense bem, é inversamente proporcional à atenção. Sendo assim, muito embora não haja evidência científica de que essa afirmação seja universalmente aceitável, concordo em alguns aspectos com ela. Quando atentos, alunos indisciplinados têm uma tendência natural a indagar de modo mais crítico. Quando atentos, alunos indisciplinados vão além. Detalhe: quando atentos.
O problema: os alunos pioneiros em questão não são atentos. Muito pelo contrário, bagunçam ‘pra caramba! São alunos indisciplinados.
Por que, então, homenagear um grupo indisciplinado?
Porque foi este o grupo indisciplinado que durante todo este semestre letivo me fez repensar sobre educação, respeito, comprometimento, sobre a relação entre os alunos e o professor e, além, sobre como passar a fazer parte da vida de um indivíduo.
(…)
Obrigado pelas dicas, Carlos Eugênio Simon.
Para disciplina, bastou um apito.
Tia Tereza
Oct/093

Tia Tereza entoava canções de ninar quando eu não dormia ou me sentia estressado. Enquanto criança, diz minha mãe, eu não era do tipo que dormia fácil ou relaxava. E Tia Tereza, paciente, voz suave, era a única que conseguia me fazer adormecer.
Tia Tereza morreu. Morreu hoje, logo cedo, enquanto minha mãe e eu estávamos no shopping. E eu estava feliz porque, apesar do frenesi da Semana do Jovem Empreendedor, havia separado algumas horinhas para nós – mamãe e eu. Foi no shopping, inclusive, que recebi o telefonema. Foi no shopping que ficou a primeira lágrima pela morte de Tia Tereza, também a primeira do dia.
Hoje não pude visitar Tia Tereza.
Nos últimos anos, enquanto Tia Tereza sofria com os sintomas que culminaram em sua morte, não a visitei. Descaso tanto que, confesso, ½ das lágrimas expelidas por mim no dia foram decorrentes da morte, outro ¼ pelo sentido de culpa por não visitá-la durante todo esse tempo e o restante das lágrimas por outro – e não menos relacionado – motivo: Rosana Hermann.
O último final de semana de outubro é comumente o período no qual mais trabalho desde quando ingressei na Faculdade ESPA. No período, conhecido como Semana do Jovem Empreendedor, costumo organizar eventos para disseminar a cultura empreendedora em Guarulhos, cidade onde moro. Neste ano, dentre outros, convidei Bob Wollheim e Rosana Hermann que, simpáticos, aceitaram o convite e, no mesmo dia em que Tia Tereza nos deixou, palestraram.
Quando chegou, Rosana me abraçou e disse que guardava uma surpresa. Falou sobre agilidade mental e as formas por meio das quais os seres humanos pensam e aprendem. Rosana, ao invés de replicar ao público do auditório a já conhecida palestra com milhares de acessos na internet, mudou. Ao fim, cantou o hino de Guarulhos em homenagem à cidade que lhe abrigou quando era criança e também em homenagem a mim, como havia prometido.
Ouvi o hino, senti-me como uma criança. A criança que, diz minha mãe, não era do tipo que dormia fácil ou relaxava. Senti-me como na época em que minha mãe, já impaciente, me jogava aos braços da mulher que, paciente, voz suave, era a única que conseguia me fazer adormecer.
Revisitei a saudosa época em que dormia profundamente bem nos braços de Tia Tereza e suas canções de ninar.
Ensaio sobre a liberdade
Oct/090

Trabalho como professor universitário. Aos 15, ainda adolescente, não me passava pela cabeça que seria, aos 28, um desses. Até aí, nada de anormal. Anormal, porém, talvez seja o fato de que sempre, desde que me conheço, fui avesso ao sistema educacional. Como professor universitário, por obediência às normas, aplico provas, avalio alunos e responsabilizo-me pela aprovação ou reprovação nas disciplinas em que leciono. Como professor universitário, não poderia ser diferente, gostaria que os alunos fossem mais livres. E livres porque, afinal de contas, no momento em que escolhem um dentre os ramos de atuação disponíveis por aí, os alunos já estão disputando espaço e, caso não estejam a fim, que arquem com as consequências (se é que haverá).
O problema da falta de liberdade, porém, não se restringe aos meus profundos desejos de alterar o sistema educacional e as resultantes decorrentes de sua ausência; a liberdade, quando em excesso, também pode gerar problemas. Se tal ausência provoca situações em que o indivíduo se sente desmotivado e afônico ao imaginar mudanças, o exagero promove, na mesma proporção, reivindicações em excesso, democracia em níveis absolutos (…) e nessa condição, livre, o bendito indivíduo passa a achar que pode fazer tudo. Para ilustrar, basta relembrar os casos comuns de funcionários que, justamente por serem livres demais, fazem o que bem entendem, os casos dos jogadores que tiram o cartão amarelo das mãos do árbitro e o adverte ou, um exemplo mais familiar, o quão raros são os relacionamentos nos quais muita liberdade não é motivo para desavenças.
Falando em relacionamentos, neles a liberdade e a confiança andam de mãos dadas; isso porque quando a liberdade está nas pontas de um gráfico de crescimento (carente ou em excesso), há indícios de que a confiança, por sua vez, não está em grau sequer aceitável. Por um lado, o da carência, comuns são as situações em que a liberdade é buscada. Por outro, o do excesso, desconfia-se do indivíduo que se aproveita da liberdade que tem. Creio, por tudo, que essa conexão entre liberdade e confiança seja um dos principais motivos que impulsionam tomadas de decisões erradas no amor e, por consequência, afogam casais que poderiam dar certo.
Como professor universitário, ainda assim, não há em mim qualquer fundamento teórico que seja capaz de comprovar o que escrevo. Há, porém, uma vontade tremenda de alterar em 0,001% o sistema educacional no qual estamos inseridos, de diminuir a liberdade que me torna um líder humano demais, de estar vivo para ver jogadores sendo expulsos quando acharem que podem fazer qualquer coisa num campo de futebol e, acima de tudo, de encontrar o equilíbrio num relacionamento que – o meu maior sonho – seja eterno.
Vende-se falso moralismo
Oct/090

Este post não visa discutir sobre moralismo levando em conta o conceito do termo moral. Se discutíssemos sobre ele, certamente levaríamos a cabo uma discussão com teor vago, suprassensível, inútil sobremaneira. Neste post discute-se sobre o falso moralismo no sentido — talvez absolutamente distorcido — da hipocrisia que, comum, passa a fazer parte de discursos dos que pregam, e somente pregam, situação e comportamento ideais.
Deparei-me nas últimas horas com comentários, como esse e esse, que contrariam o sentimento eternamente pseudopatriota do brasileiro de apoio à escolha do Rio de Janeiro como sede olímpica em 2016. Dentre outros, acalorados escritores, blogueiros e aspirantes a economistas críticos abordam temas como corrupção, legado, violência e miséria. Colocam-se os mesmos como contrários à aprovação do Brasil porque, em suma, gostariam que o dinheiro fosse investido em melhorias sociais.
Também, deparei-me nos últimos meses com indivíduos que, sob os efeitos de uma ou outra religião, preconizam a defesa à verdade, aos valores da família, ao respeito, à humildade e ao sentimento consciente de submissão que os relacionam ao Criador. Não há situação em que D’us não está de olho e, para eles, todos, em valores absolutos, deveriam serguir à risca as palavras Dele em prol de um mundo mais pleno, puro e sem mentiras.
Na mais ácida ironia, que lindos são os indivíduos patriotas e religiosos que tanto o bem desejam para os seus e a assolada sociedade brasileira, não? (…) Seriam os patriotas, repletos de sentimentos pró-sociedade, capazes de prestar auxílio, ainda que com valores milhares de vezes menores que os 28 bilhões a serem investidos nas Olimpíadas, àqueles que mais necessitam? Seriam os religiosos, desditosos em relação às mentiras e aos prazeres mundanos, capazes de seguir à risca a Palavra que apregoam?
Ah, vá plantar o pé, não pega no meu batata!






